O Cangaço não foi uma exclusividade da República. O século XVIII já registrava a execução de nordestinos que viviam à margem da lei. Seu hábito de carregar os rifles sobre os ombros, lembrando a canga que era colocada sobre os bois para puxar o arado, se encarregou de torná-los conhecidos como cangaceiros.
Nenhum outro, no entanto, popularizou tanto o cangaço como Virgulino Ferreira da Silva, que se tornou cangaceiro aos vinte e quatro anos e sucessor de Sinhô Pereira na liderança de seu bando em 1922.
A trajetória de fora da lei de Virgulino, começa com uma rixa entre famílias que resulta na morte de um irmão e de seu pai. A partir daí, uma série de crimes compõe o currículo do cangaceiro. São assassinatos, sequestros, roubos, chantagens e estupros.
Conforme Virgulino atuava no sertão, seu mito e sua reputação iam sendo construídos. Se para muitos, seu bando causava medo, para outros, ações do grupo foram sendo romanceadas. Alguns escritores chegaram a justificar sua conduta com a miséria e o abandono do povo nordestino. Para estes, o bandoleiro seria um produto do meio, da seca, da fome e injustiça social. A própria história de sua alcunha, Lampião, traz uma narração mistificada. Segundo ela, Virgulino era tão rápido para atirar com seu rifle, que o cano da arma parecia ficar aceso como um lampião iluminando a noite. E assim foi sendo construída a história daquele que ficaria conhecido como o rei do cangaço.
Estudiosos do tema e biógrafos de Lampião, na sua maioria, não reconhecem em Lampião um objetivo político ou uma causa social. Suas alianças ocorriam conforme a necessidade do bando. Muitos o auxiliavam por medo.
Em 1926 o Rei do Cangaço é convocado pelo governo para enfrentar a Coluna Prestes. Padre Cícero, amigo de Lampião intercede as negociações e no dia cinco de março do mesmo ano, em Juazeiro, no Ceará, recebe a patente de capitão dos Batalhões Patrióticos. A aliança com o governo dura pouco e os rifles automáticos fornecidos ao bando reforça o arsenal para os crimes que se seguem.
Em junho de 1927, um fato começa a mudar a trajetória do Capitão. O grupo de Lampião está no Rio Grande Norte, pronto para atacar a cidade de Mossoró, caso a prefeitura não atenda suas exigências em dinheiro. Ao não ser atendido, cinquenta e três cangaceiros invadem a cidade, mas encontram cento e cinquenta homens bem armados para defender o local. Lampião percebendo as baixas no bando, ordena a retirada. Entre as baixas, está o jovem “Jararaca” de vinte e dois anos, que antes de ser executado é preso tendo tempo para relatar algumas façanhas de seu comandante para o jornalista Lauro da Escóssia, do jornal o Mossoroense. A partir do episódio de Mossoró, a fama de invencível do cangaceiro começa a ser contestada.
A data de nascimento de Virgulino Ferreira da Silva tem controvérsias. O registro civil é de 7 de julho de 1897, em Serra Talhada, a antiga Vila Bela da canção Mulher rendeira, de autoria do próprio Lampião. O fim de sua trajetória foi em 1938, em Sergipe, Porto da Folha, na Fazenda do Angico em 28 de julho. O bando foi cercado pela polícia, que contava com uma metralhadora. Entre os cangaceiros mortos estavam Lampião e sua companheira Maria Bonita. Os mortos foram decapitados e suas cabeças foram expostas em algumas cidades, e depois no Instituto Nina Rodrigues em Salvador. Embalsamadas, as cabeças de Lampião e Maria Bonita só foram entregues para a família em 1969.
O cangaço, não começou com Lampião e também não terminou com ele. O fim chegou em 1940 com a morte de seu amigo Corisco.
segunda-feira, 20 de julho de 2020
UM REI NA REPÚBLICA
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