MEMÓRIA
A História nos traz exemplos, se aprendemos com eles, é outra coisa.
Quando
o mês de agosto mostra a sua cara, uma certa nostalgia invade este professor
que vos escreve. Primeiro, busquemos na Geografia uma das explicações para este
fenômeno. No Rio Grande do Sul, estado onde nascemos e somos radicados, os
meses de junho e julho são especialmente rigorosos trazendo o inverno em toda a
sua intensidade. Destaque para o mês que homenageia Júlio César. Mas, nosso
objeto de escrita, é o que faz homenagem ao imperador Augustus: agosto. Em um
país que tem mais de noventa por cento de suas terras na tropicalidade, nosso
estado se encontra na zona temperada, com estações do ano definidas (nem tanto
nas últimas décadas), mas com um verão cada vez mais quente e um inverno, por
vezes rigorosíssimo. Agosto então, traz sua contribuição com, além da chuva e
do frio, um vento insistente que por vezes deprime, em outras irrita. Não
descartemos aqui, aqueles que veem um certo charme no mês do primeiro imperador
romano, encontrando uma certa animação trazida pelo vento. Importante análise
nos traz a geografia neste sentido.
Mas
nosso foco é a História. Mais especificamente a memória.
No
que diz respeito à memória individual, temos em agosto a referência de nosso
aniversário. Para um historiador, a primeira história a ser compreendida e estudada
é a sua própria história. O próprio currículo construído por um professor ou
pesquisador, é documento histórico. Memória individual.
No
caso deste professor, o aniversário nunca teve um caráter de comemoração, e sim
de reflexão. Cabe ressaltar, que este vem sempre acompanhado de um sentimento
de gratidão pela História. Pela História? Sim. Pela vida. História é vida.
Nossa vida é nossa história. Todos os outros aspectos de nossa existência estão
registrados em nossa história individual. Em nossa memória individual, guardamos
muitos bons momentos e outros não tão bons assim, mas de grande valor
educativo.
Mas
o que a memória individual terá a ver com a memória coletiva? No caso em que
estamos tratando, a reflexão sobre o passado, como aprendizagem no
presente e preparação para o futuro.
O
aniversário ao qual nos referimos é dia 7 de agosto. Está no período, em que a
memória coletiva, nos traz a cada ano os eventos ocorridos no Japão no final da
Segunda Guerra Mundial. Dia 6, a primeira bomba atômica da História em Hiroshima:
aproximadamente 80 mil mortes. Dia 9, a segunda bomba em Nagasaki, aproximadamente
a metade do número de vítimas, a geografia do lugar contribuiu para que o desastre
não fosse ainda maior. Aponta-se que a cidade circundada por montanhas foi de
certa forma auxiliada tendo menos vítimas, do que em Hiroshima. Estas
montanhas, não deixam de ser monumentos, instrumentos de memória, lembrando que
se dependesse dos seres humanos, principalmente estadunidenses e autoridades
japonesas, a cidade não existiria mais.
Em
Hiroshima, o Parque Memorial da Paz, serve de instrumento de clamor para que não
se repitam atrocidades como a que aconteceu na cidade. Com esta finalidade,
também foi construído o monumento no local onde ficavam as Torres Gêmeas em
Nova Iorque. Outros exemplos poderiam ser citados.
Mais
recentemente, estátuas têm sido derrubadas por representarem o inverso.
Escravocrata foi lançado ao rio e Colombo perdeu a cabeça, por exaltarem algo,
que grupos consideram episódios históricos nocivos para a humanidade. Escreve-se
grupos, de forma destacada, justamente pelo fato de a humanidade não ser
unânime. Nem sobre o que é ser humano. Parece exagero, sensacionalismo, mas não
é. Repetimos, outros grupos consideram tais tragédias, como as que
aconteceram (e acontecem) com japoneses, armênios, judeus, africanos, indígenas
e tantos outros e principalmente outras, como normais dentro dos contextos
históricos. Mal necessário.
Platão
entendia a memória como um bloco de cera onde ficavam gravadas nossas memórias.
Freud dizia que há parcialidade na memória, pois lembramos o que queremos e
somos influenciados pelo externo.
Seja
como for, a História é vida. E a vida nos traz exemplos todos os dias, se
aprendemos com eles, é outra coisa.
Ao terminar este texto vem à memória (Olha ela aí gente!) um professor de Física do Ensino Médio que dizia: “a mesma coisa é outra coisa”. Talvez o contrário seja verdadeiro. Não seria, a outra coisa é a mesma coisa? Será que, o que pensamos ser falta de aprendizado com os exemplos, como dos lançamentos das bombas atômicas, não seria na verdade, aprendizagem para alguns grupos, que se identificam e se dedicam a perpetuar o que entendem ser correto ou males necessários? Continuemos nossas reflexões neste agosto, setembro, outubro...
Professor Sandro


